terça-feira, 23 de outubro de 2012

"O conceito de letramento mudou com o avanço rápido...": 

Quando criança ganhava coleções de literatura infantil de minha mãe, ela adora ler e sempre me incentivou. Me lembro que nós duas participávamos do circulo do livro com outras pessoas do bairro, ganhei um livro chamado " As aventuras do avião vermelho" adorei, eu o lia quase todos os dias. E não parei por ai, meu gosto pela literatura foi tanto que resolvi fazer letras.

Entre os tantos livros que li um me marcou profundamente "Meu pé de laranja lima", me emocionou, pois alguns dos episódios retratados no livro eram bem parecidos com as histórias que minha avó e minha mãe contavam.

Na escrita, um fato que jamais vou me esquecer, foi na quarta série, sempre gostei muito de escrever, adorava criar histórias, escrever cartas, ou mesmo, expor minhas opiniões por escrito. Tinha uma professora muito exigente, certa vez ela pediu que escrevêssemos uma história...Escrevi uma história de suspense misturado com comédia, foi um sucesso, minha professora adorou, mostrou as outras professoras e elas decidiram passar minha história na lousa para os alunos. 

Posso, sem dúvida nenhuma, dizer que é essa experiência que quero passar para meus alunos e para minha filha, quero que eles tenham a oportunidade que eu tive. E que tenham recordações tão boas quanto as minhas.

                                                                                                      Aline Pereira 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Mudança no conceito de letramento


  O conceito de letramento mudou com o avanço rápido da tecnologia de comunicação eletrônica. Antes da era digital,  o letramento era visto como uma ferramenta difícil de trabalhar, pois envolvia um conjunto de práticas, na qual o leitor ia adquirindo com  leituras, escritas e  interação com os processos de interpretação, envolvendo-se  com as pessoas que os cerca de forma participativa,  determinando ou diferenciando-o  em uma sociedade letrada como afirma Soares, M (Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 1998) : "Indivíduos ou grupos sociais que dominam o uso da leitura e da escrita e, portanto, tem habilidades e atitudes necessárias para uma participação ativa e competente em situações em que as práticas de leitura e/ou de escrita tem uma função essencial, mantêm com os outros e com o mundo que os cerca formas de interação, atitudes [...] que lhes conferem um determinado e diferenciado estado ou  condição de inserção em uma sociedade letrada".  

  Hoje, com a recente tecnologias de comunicação eletrônicas, a leitura e escrita digital está introduzindo um tipo de letramento que chamamos de letramento na cibercultura {cibercultura designa " o conjunto de técnicas(materiais e intelectuais) , de práticas, de atitudes, de modos de pensamentos e de valores que se desenvolvem juntamente com o acréscimo do ciberespaço (é um novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores) com afirma Lévy, P.  no livro Cibercultura. Rio de Janeiro: Editora 34, 1999,p.17 }.

  A leitura e escrita digital traz ferramentas que enriquece e interage ativamente o leitor. No livro físico há uma relação tímida entre escritor e leitor, entre escritor e texto, entre leitor e texto. Nos equipamentos eletrônicos que possibilitam a leitura e escrita digital, a relação com o leitor e escritor  é mais próxima, pois há interação entre eles. O leitor torna-se também um autor, O leitor pode inferir, alterar, acrescentar informações, pois o texto oferece várias alternativas de interpretações, e o acesso a  textos diversos torna-o um autor leitor capacitado a interagir com o meio em que vive.

  Portanto, o letramento que ocorre nos dias atuais é diferente do letramento que ocorria antes era tecnológica, pois mudou a relação do leitor com o texto, do autor com o texto abrindo novos horizonte a ambos.
                                                                                                       Leonardo

Carlos Drummond de Andrade

A Procura da Poesia

Não faças versos sobre 
acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?